Trabalho a quatro e seis mãos: qualidade e produtividade

Trabalho em equipe - FabioIwakuraUltimamente, as transformações no mercado vêm exigindo mudanças de comportamento por parte do cirurgião-dentista, cujo sucesso não depende mais única e exclusivamente de suas habilidades técnicas e conhecimentos científicos, mas também de sua capacidade organizacional e administrativa.

Assim, é importante racionalizar e simplificar o trabalho, reduzindo tempo e custos para aumentar a produtividade e os rendimentos.

 

Preconiza-se então que execute somente os procedimentos irreversíveis e delegue ao pessoal auxiliar todos os passos reversíveis, promovendo um tratamento dinâmico, com máxima economia, eficiência e menor fadiga para o profissional, equipe e paciente, tornando o trabalho menos solitário e mais prazeroso.

 

São procedimentos reversíveis aqueles que podem ser corrigidos ou refeitos sem prejuízo aos tecidos bucais ou saúde do paciente, ficando a cargo do dentista o que requer maior conhecimento e habilidade profissional, como diagnóstico, plano de tratamento, anestesia, desgaste dental, incisões, entre outros.

 

Apesar de todas as vantagens supracitadas, cerca de 60% dos dentistas trabalham sem auxiliar, devido à carência de profissionais capacitados e ao desinteresse de alguns cirurgiões-dentistas em treinar sua equipe; além disso, muitos ainda não aprenderam a trabalhar em equipe, mantendo o monopólio de atividades e funções que poderiam e deveriam ser delegadas.

 

Denominado “trabalho a quatro ou seis mãos” tem importante papel na racionalização do trabalho. Estudos demonstram que um cirurgião-dentista utilizando um (a) auxiliar aumenta de 30 a 50% sua produtividade e, com dois auxiliares, o aumento é de cerca de 75%.

 

Tal sistema de trabalho segue padrões ergonomicamente delineados para promover produtividade, qualidade e bem-estar físico e mental aos profissionais. É interessante apenas quando realmente se minimizam movimentos indesejados de torções, estiramentos e acelera a maioria dos procedimentos. Isso não se refere apenas à simples transferência de instrumental de um profissional para o outro e nem na velocidade do atendimento. Mais do que isso, constitui um trabalho inteligente e eficiente.

 

Há três tipos de trabalho auxiliado: sem troca de instrumentais, com troca de instrumentais e com delegação de tarefas. De modo geral, na instrumentação à distância a produtividade é de 15% a 20%, se comparado ao cirurgião-dentista que atende sozinho. No trabalho a quatro mãos, aumenta de 30% a 50%.

 

Quando se tem apenas um auxiliar, este acumulará funções de preparador e instrumentador durante os procedimentos clínicos; com dois auxiliares, ou seja, trabalho a seis mãos, um deles exercerá a função de instrumentador, cuidando exclusivamente dos procedimentos intrabucais e o outro, de preparador, executando todo o trabalho fora da boca, em pé, como volante. Com o trabalho a seis mãos, a produtividade aumenta muito visto que o instrumentador dá integral atenção ao cirurgião-dentista, não havendo interrupções na sequência clínica.

 

Pesquisas afirmam que as atividades mais executadas pelo pessoal auxiliar são: agendamento de pacientes, preparo de bandejas, sucção de campo operatório e manejo de fichas clínicas. Nota-se que são poucas as atividades quando comparadas ao que pode realmente ser feito, demonstrando uma subutilização de o pessoal auxiliar, responsável por quase 40% das ações realizadas pelo dentista.

 

Além disso, quase 55% dos profissionais não utilizam a transferência de instrumentos pelos auxiliares, sendo eles próprios que alcançam os instrumentos na mesa auxiliar, procedimento totalmente contraindicado pelo gasto de tempo e de maior execução de movimentos.

 

Como já foi dito, a transferência de instrumentos reduz os movimentos do cirurgião-dentista, permitindo-lhe manter os olhos focados no campo operatório, evitando fadiga visual.

 

Promove também economia de tempo, uma vez que os instrumentos são entregues de forma contínua e sem atrasos.

 

Cirurgiões-dentistas com mais de 20 anos de atividade profissional queixam-se de doenças sabidamente relacionadas ao estresse psicológico, tais como: distúrbios posturais, dores na coluna cervical, enxaquecas constantes, hipertensão arterial, depressão, fibromialgias, distúrbios da atividade sexual, infartos, insuficiências respiratórias, envelhecimento precoce. Por isso, a prevenção por meio de mais organização e dinâmica do processo de trabalho é fundamental.

 

Desenvolver um trabalho em equipe implica em superar desafios diários, como relacionamento interpessoal, entrosamento, objetivos em comum, “falar a mesma língua”, ouvir e dar sugestões, acreditar, confiar, compreender. É um constante aprendizado que traz inúmeros benefícios, não só aos pacientes, mas aos profissionais envolvidos. Que tal começar as mudanças agora?

 

Autor: Vanessa Navarro

Fonte: http://www.odontomagazine.com.br/

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