Olhando para fora da janela

Olhando para fora da janela“Tudo o que acontece no mundo afeta sua empresa, de forma direta ou indireta”. Acredito que você já deva ter escutado essa frase em algum lugar, em algum momento, de alguma pessoa. Talvez você a tenha compreendido, tenha concordado com a afirmativa, mas não tenha parado pra pensar em seu significado.

Eu particularmente repito muito essa frase aos meus alunos, nos cursos de graduação. Mas qual o seu significado real e sua importância para o mundo dos negócios?

Sabemos que as empresas não atuam sozinhas em seu mercado – mesmo aquelas que detém um monopólio. Elas dependem de uma série de entidades, organizações e variáveis para sobreviver. Me refiro aos seus funcionários, acionistas, fornecedores, distribuidores, clientes, além de uma economia favorável, políticas de incentivo, tecnologia entre outros.

As organizações que buscam a sobrevivência e a sua perpetuação no mercado necessitam administrar, com competência, não apenas o seu ambiente interno, mas também o externo. Significa não apenas contar com uma boa equipe de colaboradores, dispor de recursos financeiros, possuir equipamentos e máquinas modernas, oferecer produtos e serviços de qualidade e praticar uma gestão administrativa eficiente. E não é o bastante coordenar tudo isso muito bem.

As empresas – inclusive a sua – precisam colocar a cabeça pra fora da janela e acompanhar tudo o que se passa lá fora, no mercado. Isso porque tudo que acontece lá fora afeta os seus negócios. Lá estão os seus concorrentes, os seus clientes, seus parceiros comerciais, o governo, sindicatos, e todas as forças do macroambiente, como a variável demográfica, a econômica, a política, a tecnológica e a cultural.

Vejamos alguns exemplos que demonstram como as forças do ambiente externo influenciam os seus negócios. Imagine o seu principal concorrente com a estratégia de reduzir os preços de seus produtos visando uma fatia melhor de mercado. Qual será o resultado das vendas da sua empresa? Possivelmente você amargará queda nas vendas por conta da ação do concorrente. E se esse concorrente investisse pesado em campanhas publicitárias? Ou lançasse um produto revolucionário no mercado? Ou expandisse os seus negócios? Tudo isso afetaria a sua empresa, certo? Por isso, de olho na concorrência.

Além dos concorrentes faz-se necessário também monitorar outros elementos do ambiente externo, como os seus fornecedores. Aparentemente um simples parceiro comercial, essas organizações podem fazer grande diferença em seu negócio. Um bom fornecedor pode lhe trazer ótimas vantagens, como entrega rápida de produtos e fornecimento de matérias-primas de boa qualidade a custo baixo. Mas, ao contrário disso, e se esses fornecedores atrasarem a entrega de seus pedidos, ou fornecerem matérias-primas de baixa qualidade, ou mesmo não apresentassem uma boa gestão de custos e lhe vendessem produtos com preço acima da média do mercado? Tudo isso certamente afetaria negativamente a sua empresa.

O seu distribuidor atrasando a entrega de seus produtos no ponto de venda, que prejuízo poderia provocar em suas vendas? A atuação de um sindicato de trabalhadores deflagrando uma greve da categoria em seu setor, que problemas causaria no caixa de sua empresa? Imagine a imprensa denunciando uma irregularidade cometido por sua organização, que estragos provocaria na imagem da companhia?

E o que falar da variável econômica? Somos testemunhas que qualquer ameaça de crise econômica em qualquer parte do planeta mobiliza (e apavora) todos os países (e suas companhias). É o resultado da economia global. Recentemente presenciamos a crise financeira dos Estados Unidos. Ao contrário do que pensava o nosso ex-presidente, o efeito disso não foi uma mera “marolinha”. Muitas empresas brasileiras se viram prejudicadas, e seriamente ameaçadas, por conta da crise imobiliária norte-americana. A crise afetou a moeda americana e consequentemente todas as empresas que atrelaram o seu negócio ao dólar. Prejudicou as organizações brasileiras que fizeram negócios com as empresas norte-americanas – comprando ou vendendo a elas. E não precisamos ir longe. A alta da inflação, uma recessão interna, alterações cambiais. Tudo isso afeta as atividades de nossas empresas.

A interferência governamental também é fator de risco – ou de oportunidade – ao universo das corporações. A redução do IPI – imposto sobre produtos industrializados – beneficiou montadoras de veículos, fabricantes de eletrodomésticos e de móveis. Ao impor barreiras comerciais protecionistas, o governo privilegia os produtos nacionais e seus fabricantes ganham fôlego e incentivo para um melhor desempenho interno. Por outro lado, uma lei que restringe uma atividade, que limita a atuação de uma empresa ou que regulamenta todo um setor apresenta ameaça às organizações.

O surgimento de novas tecnologias podem aposentar máquinas, equipamentos e até processos produtivos. A evolução da internet mudou a maneira das empresas fazerem negócios e alterou o comportamento de compra dos consumidores. A mudança climática pode fazer produtos encalharem nas prateleiras, ou elevar a comercialização de outros.

Pudemos perceber, em uma rápida análise, o quanto é importante as empresas monitorarem constantemente o seu ambiente externo. Isso permite à elas entender o que está acontecendo e até prever acontecimentos futuros, tudo embasado em estudos de tendências e movimentação do mercado. Organizações que dedicam parte de seus esforços em analisar o mercado conseguem identificar ameaças e oportunidades de negócio, se aproveitando dos sinais positivos e evitando aspectos negativos. Estes empresários sabem que para gerenciar bem sua organização, ele deve manter um olho dentro, e outro fora de sua companhia.

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